
Kabiesi! Saudações à sua Majestade!
Quando Sango dança e nenhum deus ioruba dança com mais virilidade e energia, gesticula alternadamente para os céus e para seus órgãos sexuais. A dança fala sobre suas pedras de raio, sementes de sua fecundidade. Enquanto sua força divina, Sango glorifica, mas, na sua condição de ser humano, considerou insuportável a vida. Para começar, sua origem era questionável. Sem auto-estima e desafiado por facções rivais dentro da cidade e por reinos estrangeiros hostis, compreensivelmente buscou meios mágicos a fim de consolidar seu poder. Corriam rumores de que o rei de Bariba possuía um certo preparo medicinal que capacitava seu usuário ( que o colocava sob a língua ) a cuspir pedras de raio com voltagem suficiente para derrubar exércitos inteiros. Da sua capital na antiga Oyo, Sango enviou a Bariba sua esposa favorita, Oya. Digna de seus encantos, Oya realizou sua missão. Secretamente, entretanto, guardou para seu uso exclusivo um estrondo, uma pequena parcela do raio.
Infelizmente, enquanto experimentava seus poderes do alto de uma montanha, Sango direcionou equivocadamente um grande raio paras as vizinhanças de seu próprio palácio. Houve poucos sobreviventes. Horrorizado por ter aniquilado aqueles cuja preservação deveria ter sido sua maior preocupação, Sango inundou a capital. A caminho de um destino desconhecido, ele se enforcou num local subseqüentemente denominado Koso. Kòso significa "Ele não se enforcou", e aí está o mistério. Sango desapareceu no chão e tornou-se um deus (orisa). A árvores àyàn em que tentara pendurar-se foi divinizada como Ayan, padroeira dos tocadores de atabaque. Oya, que finalmente seguira o marido à distancia, ficou tão tomada pela dor, que também desapareceu num pântano alagadiço em Irà. Juntos hoje regem o céu tempestuoso. As sementes de chuva de Sango fertilizam a terra, no meio dos dois está a origem do raio.
Uma vez que a competência meteorológica de Sango resume-se claramente nas próprias férteis pedras de raio mais do que em sua pontaria, que pode falhar, e sendo sua presença nos céus caracterizada pelo estrondo, deve-se a Oya o raio.
Companheiros inseparáveis, eles se unem para criar as tempestades. Sango e Oya mitologicamente tiveram gêmeos, isto é, a cada vez que se unem.
O próprio povo yorubá dá a luz surpreendentemente números de gêmeos ( na proporção de 42 para 117 nascimentos) e os céus acima de suas cabeças produzem temporais que formam a segunda taxa mais elevada do mundo, Qual poderia ser a possível ligação?
Akolossydan
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